Envelhecer: é preciso fazê-lo da melhor forma possível
É impressionante perceber como que o tempo está passando rápido. O desenvolvimento tecnológico permitiu maior conforto e comodidade no nosso dia a dia, é possível interagir com mais pessoas, em locais diferentes, em tempo real de uma maneira fácil e acessível. A vida parece até mais fácil. Em contrapartida, com tantas facilidades, conseguimos assumir mais compromissos, responsabilidades, realizar várias funções ao mesmo tempo, não sentimos o tempo passar. E assim, vamos envelhecendo…
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de idosos (maiores de 60 anos) deve chegar a 25,5% da população brasileira até 2060.
Mas como estamos envelhecendo?
Em 2017, a comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidado da demência apontou nove fatores de risco potencialmente modificáveis para a demência:
1- Pouca educação,
2- hipertensão,
3- deficiência auditiva,
4- tabagismo,
5- obesidade,
6- depressão,
7- inatividade física,
8- diabetes e
9- baixo contato social.
Em 2020, a mesma comissão acrescentou mais três fatores de risco para demência:
10- consumo excessivo de álcool,
11- lesão cerebral traumática e
12- poluição do ar.
Juntos, os doze fatores de risco modificáveis representam cerca de 40% das demências mundiais, que, portanto, poderiam teoricamente ser evitadas ou atrasadas.
As interações entre a perda auditiva e o declínio cognitivo no envelhecimento são evidenciadas nas dificuldades encontradas pelos indivíduos com dificuldades auditivas na compreensão da fala e no engajamento social. Contudo, um estudo constatou que a perda auditiva só estava associada à pior cognição naqueles que não usavam aparelhos auditivos. 62
Aqui na Escutart, trabalhamos para ajudar as pessoas a se adaptarem aos aparelhos auditivos, a fim de minimizar os efeitos da perda auditiva que pode levar ao declínio cognitivo pela reduzida estimulação social e cognitiva. Quanto mais cedo adaptar as próteses auditivas maior o benefício e uso efetivo (entre 45 a 65 anos).
Nunca é cedo demais e nunca é tarde demais para mudar nossos comportamentos que favorecem a prevenção da demência. É preciso saber envelhecer, para fazê-lo da melhor forma possível…
Fontes:
The Lancet Comissions, volume 390, issue 10113, p2673-2734, December 16, 2017. Dementia Prevention, Intervention and care. Prof Gill Livingston, MD; ; Andrew Sommerlad, PhD; Vasilliki Orgeta, PhD; Sergi G Costafreda, PhD; Jonathan Huntley, PhD; Prof David Ames, MD et al. Published:July19,2017DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(17)31363-6
The Lancet Comissions, volume 396, issue 10248, p413-446, august 08,2020. Dementia Prevention, Intervention and care: 2020 report of the Lancet Commission. Prof Gill Livingston, MD; Jonathan Huntley, PhD; Andrew Sommerlad, Phd; Prof David Ames, MD; Prof Clive Ballard, MD; Prof Sube Banerjee, MD et al. Published:July30,2020DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30367-6
www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&id=33875
Ray J, Popli G, Fell e G. Associação de cognição e deficiência auditiva relacionada à idade no estudo longitudinal inglês do envelhecimento. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2018; 144: 876-882